Versão Tupiniquim
A gastronomia contemporânea tem conquistado um espaço cada vez maior em Brasília. Há alguns anos, os restaurantes da capital vem atendendo a uma crescente demanda por pratos diferentes, fora dos conceitos tradicionais.
Consciente dessa oportunidade de mercado, a chef Fabiana Pinheiro inaugurou na comercial da 302 sul o Versão Tupiniquim, restaurante contemporâneo, com pratos modernos e inusitados. A ideia de Fabiana é valorizar e interpretar hábitos e sabores nacionais por meio de técnicas da cozinha internacional. Para realizar o projeto, o restaurante conta com o assessoramento da Arzac Instruction, empresa espanhola fundada por Juan Mari Arzac, um dos mais importantes e premiados chefs do mundo.
O restaurante comporta até 60 pessoas e funciona em um belo ambiente, moderno e confortável, com exposições temporárias de obras de arte brasileiras. A música é agradável e o serviço, como quase todos em Brasília, ainda tem seus altos e baixos.
Uma boa pedida para quem quer experimentar as novas técnicas da cozinha contemporânea são os menus degustação, com uma sequência de sete pratos, em pequenas e justas porções, desde a entrada até a sobremesa (R$ 100,00).
Para começar, uma boa opção é o pudim de mariscos com emparedado de arroz. O pudim é leve, aerado, com sabor bastante suave, e harmoniza perfeitamente com a textura crocante e o sabor marcado da crosta de arroz que o acompanha. O emparedado é preparado com uma avançada técnica de desidratação, e permite um bom resultado final.
Em seguida, a casa oferece uma mini tortilla de cebolas e bacon, que chega à mesa sobre uma fina camada de romesco, um molho tradicional da Catalunha, preparado à base de castanhas, alhos assados e pimentas. Um prato simples e correto, servido na temperatura ideal.
Na sequência, uma fina e aveludada terrina de foie gras, bem cozida – ainda rosada no centro -, acompanhada de geleia de cebola, passas, maçãs e um toque de flor de sal. A terrina foi preparada com boa técnica e derrete na boca, como deve ser. O tempero estava correto, os sabores se harmonizavam bem, mas o prato poderia estar um pouco mais morno. Isso facilitaria a percepção de todos os sabores.
O primeiro prato forte da degustação é a pescada amarela, servida sobre batata assada, com aroma de gengibre e molho à base de shoyu. O peixe é saboroso, servido na temperatura correta, e os aromas se harmonizam bem, mas quem prova não consegue encontrar a expressão da gastronomia contemporânea. A combinação de peixe, gengibre e shoyu é comum, e a preparação poderia contar com técnicas mais elaboradas e maior ousadia na seleção de ingredientes.
Na sequência, o segundo prato forte é o atum vermelho, servido sobre compota de tomate e urucum e vinagrete de cebolinha. O peixe é fresco e saboroso, mas com ponto de cocção irregular. O atum exige um cozimento mínimo, e é essencial que seu interior esteja cru, para que sua carne mantenha a textura cremosa e macia. Além da cocção, o prato também poderia explorar mais os ingredientes brasileiros e os métodos de cozinha contemporânea. O sabor agrada, mas falta complexidade.
Para fechar o menu, a sobremesa é um pão de ló de maracujá, envolvido em uma fina camada de manga madura e servido sobre uma cremosa sopa de coco. Nesse prato, o conceito do restaurante conseguiu se expressar melhor. Maracujá e manga combinam muito bem, e a acidez das frutas acompanha a textura amanteigada do creme de coco. São ingredientes típicos, preparados de maneira inusitada, com bom resultado.
Ao final da sequência, fica evidente que os pratos criados com maior ousadia e risco agradam mais que aqueles mais tímidos e menos complexos. Os ingredientes brasileiros são muito flexíveis e respondem bem a combinações exóticas. A chef poderia testar misturas mais incomuns, e considerando o sabor das entradas e da sobremesa, essa tática poderia render excelentes resultados nos pratos fortes.
O atendimento também carece de mais formalidade e exatidão. Os garçons são educados e cordiais, mas às vezes escorregam ao abordarem os clientes ou servirem seus pratos. Esses erros são muito comuns em Brasília, e de fácil correção. Clientes bem atendidos consomem mais e – o mais importante – retornam ao restaurante. Por isso é tão importante investir na qualidade do serviço.
O ambiente e a proposta do Versão Tupiniquim já estão bem formulados. O que falta agora é amadurecimento, com revisão de determinados pratos, deixando-os tecnicamente mais complexos e mais brasileiros, além do aperfeiçoamento do serviço. Assim, cada cliente poderá ver, sentir e provar o imenso potencial da cozinha contemporânea. Com simples e importantes mudanças, que geralmente levam algumas semanas, o restaurante poderá fazer peso à consultoria de Arzac e se tornar um bom referencial do futuro gastronômico de Brasília.
Classificação:
Versão Tupiniquim
Etnia: Brasileiro
Categoria: Contemporâneo
Serviço: 3 de 5
Comida: 4 de 5
Ambiente: 5 de 5
Localização: 5 de 5
Preço: entre R$ 80,00 e R$ 120,00 por pessoas
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Serviço
- Região: Asa Sul
- Endereço: SHCS CL 302-B, Bloco C, Loja 2
- Telefone: (61) 3322 0555 61 3322 0555
- Funcionamento: de terça a sábado, das 12h às 15h e das 18h às 23h.
- Forma de Pagamento : Visa, Master
