Taypá
Texto: João Paulo Barroso - especial para o Candango!
O Taypá, restaurante peruano contemporâneo, ampliou seus salões e apresentou nesta semana algumas novidades para o público brasiliense. Com 40 novos lugares, sendo 20 em uma sala privada e 20 em uma varanda, o restaurante agora tem capacidade para receber 150 pessoas.
No menu, algumas mudanças: o chef Marco Espinoza oferece 22 novos pratos, incluindo preparações com picanha, bacalhau e lagosta, com a intenção de adaptar as opções ao paladar brasileiro. Em uma degustação que durou quase 4 horas, o restaurante lançou os pratos novos, servindo entradas, principais e sobremesas. Com seus erros e acertos, muito pode ser comentado.
A primeira entrada foi o Ceviche Criollo (R$ 35,90). Nesse prato, finas fatias de robalo e polvo são servidas deliciosamente macias e suaves, na textura perfeita, e temperadas com uma cremosa emulsão de coentro, bem temperada e equilibrada em acidez. Para completar a textura, pedacinhos crocantes de cebola em tempurá fizeram a finalização. Sem dúvida, uma pedida leve e refrescante, principalmente para o horário do almoço.
Na sequência, chegaram as Causas, pratos de origem pré-colombiana, feitos a partir de batatas amassadas, limão e pimenta. São deliciosos, e no caso da Causa Miraflorina (R$ 31,80), a batata é temperada com chimichurri e vem acompanhada de polvo grelhado com um saboroso molho adocicado. Uma boa pedida, mas que poderia ser ainda melhor se o polvo estivesse mais macio.
A segunda causa servida foi a Contemporanea (R$ 38,90), que leva salmão defumado, tomate seco, rúcula, maionese de azeitona e alcaparras. Nessa entrada, os sabores se confundem um pouco. A maionese de azeitona coloca o salmão em segundo plano, mas, ainda assim, é um bom prato.
Na sequência, muitas opções de pratos principais. A primeira foi o Lomo Fusion (R$ 59,40), um fillet mignon grelhado com foie gras, molho de pimenta e purê de abóbora e laranja. Nesse momento, algo importante deveria ter sido observado: o foie gras, cara e delicada iguaria, deve ser tratado com muita técnica. No prato, porém, o cozimento foi excessivo e o fígado perdeu muita umidade. Uma pena também que o molho apimentado, apesar de saborosíssimo, tenha ofuscado completamente o restante dos componentes.
Melhor opção teria sido o Tacu-tacu, preparação de arroz e feijão, muito popular no país andino. O Tacu-tacu Taypá (R$ 54,80) acompanha uma inusitada mistura de fillet mignon, lula, polvo, mexilhões e camarão, temperados em molho de soja, cebola e vinagre, com um resultado surpreendente.
Continuando a degustação, seguimos para os Ravioles de Cordero (R$ 54,20), que levam um delicioso naco de cordeiro, macio e bem cozido, sobre a massa caseira recheada, um molho cremoso e bem temperado e, para finalizar, pontas de aspargos levemente adocicadas. Uma delícia esse prato. Os temperos combinam e se harmonizam bem. Nada peruano, mas vale a pedida.
O último prato principal servido foi o Rissoto Fusion de Langosta (R$ 81,00). Esse poderia ser repensado. O risotto, tradicional da Lombardia, na Itália, como o próprio nome sugere, deve preparado à base de arroz. Mas não é o caso desse risotto, que leva apenas batatas e pimentas peruanas, e que não justificam, nem por textura, nem por sabor, o nome que leva. Não que os conceitos atuais de cozinha contemporânea e de gastronomia molecular não permitam muitas extravagâncias, mas nesse caso a falta de referência pode confundir o comensal. Além disso, a lagosta, que acompanha o prato com molho de limão e gengibre, foi cozida bastante além do ponto, perdendo sua maciez e sabor característicos.
Na sobremesa, as coisas voltaram a se ajustar. O chef apresentou a Dulce Convinación (R$ 19,50), uma deliciosa torta de maçãs e nozes, macia e crocante ao mesmo tempo, ácida e doce no ponto correto. Para completar, uma bola de um curioso e bem elaborado sorvete de baunilha e tomilho, com um chip crocante de chocolate amargo. Não há quem resista.
O jantar foi finalizado com algo mais nativo: o Nuestro 3 leches (R$ 17,90) é uma bavaroise preparada à base de lúcuma, fruta peruana exótica e saborosa, leite infusionado e uma base de massa de chocolate. Boa combinação.
Assim como o jantar, os vinhos escolhidos para a harmonização também tiveram altos e baixos. O prato de lagosta foi acompanhado de um cabernet/merlot da África do Sul, o Blue Grove Hill 2007, um vinho com 10 meses de repouso em carvalho, com acentuado aroma a couro e tabaco, que em nada combinava com o crustáceo. Por outro lado, o destaque foi o Ave Premium Malbec, colheita 2009, servido com os ravioli. Com um excelente custo-benefício, esse tinto é despretensioso e correto, leve em taninos e com um aroma e sabor que lembram ameixas bem maduras e saborosas. Vale a pena pedir.
Ao final da noite, uma coisa era certa: o chef Espinoza se destaca no tempero e equilíbrio dos pratos mais típicos peruanos, e às vezes escorrega em preparações quando se arrisca nas fusions. O restaurante ainda deve ajustar esses pontos com o passar do tempo, e talvez evolua para um menu um pouco mais linear. De toda maneira, recomendo uma visita para quem ainda não conhece. Os ceviches e o tacu-tacu não decepcionam.
João Paulo Barroso é graduado pelo Instituto Argentino de Gastronomía - IAG, com especialização em química gastronômica, e formado em vinhos pelo Centro Argentino de Vinos y Espirituosas - CAVE.
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Serviço
- Região: Lago Sul
- Endereço: SHIS QI 17, Bloco G, Loja 208 – Fashion Park - Comercial do Lago Sul
- Telefone: 61 3248 0403 / 3364 0403
- Funcionamento: Todos os dias para almoço, de 12h às 15h. E no jantar, das 19h à 1h.
- Forma de Pagamento : Visa, Amex e Mastercard
