Integral Bambu
Texto: Bárbara de Alencar
Consciência corporal, flexibilidade, alongamento, força e concentração integrados a um exercício inspirado em uma antiga brincadeira de criança, subir em árvores. Assim, funciona o Integral Bambu, sistema cem por cento brasiliense, criado por Marcelo Rio Branco, que visa o autocuidado e a longevidade funcional. A atividade consiste em movimentar-se por uma estrutura de bambu e pelo chão, sempre com a possibilidade de recriar os instrumentos e os movimentos.
A pesquisa começou há 10 anos como uma ginástica, inicialmente com Rio Branco. Multialtleta, o idealizador do sistema, sempre praticou diversas atividades como yoga, artes marciais, dança contemporânea e estudou matemática, música e marcenaria, porém ainda não tinha encontrado o que realmente queria. “Fazia vários esportes, mas comecei a me questionar. O que você quer para um filho? Ser o mais rápido, mais forte? Para isso, teria que machucar. Aí, veio o estalo”, conta.
De acordo com ele, o Integral Bambu trabalha em cima de três conceitos básicos, tendo a sobrevivência como guia: o operário, o médico e o artista. O operário está relacionado com a parte funcional do corpo e ajuda a desenvolver inteligência e consciência corporal. O médico se refere ao que é chamado de higiene física e trabalha alongamento, massagem e equilíbrio. Já o artístico, baseia-se em elementos de teatro, dança e expressão corporal.
Para o jornalista Alger Carriconde, 44, o sistema iniciado por Rio Branco mudou vários aspectos de seu dia a dia. “Comecei para não cair e espalhei para o resto da vida. Me senti uma pessoa mais ligada na natureza, mais atento, mais presente, saudável, consciente”, diz ele, que conheceu a atividade há três anos. Outro ponto interessante destacado pelo jornalista é a integração de diversas práticas sem o espírito competitivo. “Achei que o Integral Bambu tinha uma coisa diferente que é a história de juntar várias modalidades. Não tem uma questão de competição. É uma forma lúdica e consciente de trabalhar o corpo. Descobri músculos e articulações que nunca achei que pudessem existir”, completa.
Na opinião da instrutora Roberta Martins, 28 anos, o IB trabalha força, flexibilidade e percepção de uma forma harmônica. Integrante da Cia. Nós no Bambu, originada a partir da pesquisa de Marcelo, ela pratica a atividade há nove anos e não parou nem quando estava com oito meses de gravidez. “Você adapta o seu treinamento. Costumo dizer que são três professores: o corpo, que diz quando está doendo, o bambu, que é flexível e mutável, e a comunidade”, ressalta a artista que utiliza a perspectiva educacional da prática com a filha de 4 anos.
Segundo Marcelo, o esporte pode ser experimentado por qualquer pessoa, independentemente da idade, desde que observados os limites de cada um. “Se você não se conhece direito, vai subir em um galho e cair. Nesse sistema, não se deve se apoiar em professor, mas sim no aprendizado e pesquisa de cada um”, explica.
Saiba onde e como praticar: integralbambu.blogspot.com
Confira nossa galeria de imagens para conhecer melhor a atividade.
Fotos: 1 e 2 - Daniel Lavenere/ 3 - Bárbara de Alencar
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