GOG
Texto: Bárbara de Alencar
Provocador, ativista cultural e social, representante de uma maioria ignorada pelas classes dominantes da sociedade, ou, como prefere se definir, “um eterno divergente, mesmo dialogando”. Assim, é Genival Oliveira Gonçalves, mais conhecido como GOG – o poeta do rap nacional.
Com letras de contestação, sem se utilizar de palavrões, o cantor trilhou um caminho único no movimento Hip Hop brasileiro e, principalmente, no brasiliense, o qual ajudou a criar. Recusando convites para aparecer em grandes emissoras de televisão, conseguiu o reconhecimento de seu trabalho nos quatro cantos do país. “A fórmula para vencer não inclui o sucesso. Eu prefiro bater meu rap de porta em porta, sabe? A música chegando aos poucos”, diz, com a autoridade de quem possui mais de 20 anos de carreira e já dividiu o palco com nomes de peso na cena musical nacional, como Gerson King Combo, Lenine e Maria Rita.
Nascido em Sobradinho, a jornada de Genival começou depois de se mudar para o Guará, no fim da década de 1970. Com primos e amigos, iniciou o Magrello’s Pop Funk, um grupo de break que fez sucesso no fim dos anos 80 e, segundo ele, foi um dos maiores que Brasília já teve. Nessa época, o rapper também adquiriu sua consciência negra, mesmo sem ainda entender direito o significado desse movimento. “Hoje, eu percebo que passei a minha adolescência ouvindo Toni Tornado, Cassiano, Lady Zu, Gerson King Combo, mas sem ter a noção da profundidade que representava aquilo. O hip hop veio me trazer isso nos anos 90”, revela.
Ainda durante a infância, GOG descobriu o dom da palavra. Alfabetizado aos 5 anos, com livros de Cecília Meireles introduzidos por sua mãe e professora, Dona Sebastiana, ele teve desde cedo o incentivo necessário para a sua verborragia atual. “Eu sou exigente com o meu texto, da mesma forma que a minha mãe era muito exigente com os alunos dela. Ela não viajava no final do ano antes que toda a turma dela tivesse sido alfabetizada”, afirma. Com o pai, Seu Genésio, transformou-se, aos 8 anos de idade, em um fenômeno dos concursos de ditados promovidos em casa. Hoje, com 45 anos, também confessa que já foi um ás da datilografia, chegando a dar 200 toques por minuto.
Atualmente, mantém o selo Só Balanço, que criou em 1993, “mais pelas dificuldades de mercado e não por vontade”, como prefere dizer. Em sua opinião, a primeira lição que um artista que pretende se lançar fora do mainstream deve aprender é que todos são dependentes, seja das redes sociai, das parcerias ou dos diálogos com o mercado e o público. “A palavra independente quer dizer que você está fora do circuito. Não que você é independente. É porque você tá lançando na marra”, explica.
Defensor ferrenho do rap como instrumento de edificação de uma nova realidade, Genival também faz parte do Conselho Nacional de Cultura, desde 2009. Um episódio marcante que ele gosta de salientar foi no encontro de negros e negras do Partido dos Trabalhadores, no qual a presidenta Dilma Roussef estava presente. Após cantar a música Carta à Mãe África, a chefe de Estado pediu pessoalmente a canção Brasil com P. “A Dilma se levantou e disse: GOG, pesquisa publicada prova [primeiro verso da letra]. Aí, eu não acreditei. Fiquei muito feliz. E é muito legal saber que a música tá chegando”, conta orgulhosamente.
Saiba mais sobre GOG em nossa Galeria de Imagens.
Confira a faixa Brasil com P, do CD CPI da Favela, em nosso Podcast.
Acesse: http://gograpnacional.com.br/
Fotos: Rafael Santos - "Vato"
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