Candango! - Adeilton Lima

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Adeilton Lima

Texto: Bárbara de Alencar

O alimento da alma de Adeilton Lima é a arte. Enjaulado em uma gaiola no Conic, como um jejuador kafkiano, ele protestou em prol da cultura. Como um homem bomba, declarou, nos jardins do Teatro Nacional Cláudio Santoro, guerra ao sucateamento dos espaços culturais do DF e à falta de políticas públicas para o setor. Atualmente, como quem tem em si todos os sonhos do mundo, o ator, diretor, professor e poeta leva aos palcos da capital federal questionamentos e críticas à sociedade e ao ser humano.

São quase 25 anos de carreira trilhados com sucesso, apesar dos percalços e dificuldades enfrentados nos sinuosos caminhos das artes cênicas em Brasília. No currículo, Lima coleciona alguns prêmios, entre eles o Myriam Muniz de Teatro, oferecido pela Fundação Nacional de Artes (Funarte). Em 2006, foi agraciado com o troféu pelo monólogo A Conferência, de sua autoria. No ano seguinte, recebeu a premiação pelo espetáculo Diário de Um Louco, adaptado do conto homônimo escrito por Nicolai Gogol, também um projeto solo.

Em seus trabalhos, é possível observar que, à arte para simples entretenimento, ele prefere o teatro como instrumento de conscientização. Em A Conferência, por exemplo, Adeilton se utiliza de um humor ácido e ironia para criticar o vazio dos diversos discursos, dentre eles o acadêmico, o político e o religioso. De acordo com o poeta, o teatro surgiu em sua vida “muito mais como uma inquietação. E, também, como uma revolta. Não no sentido negativo, mas como algo positivo, no sentido de questionamento”, explica.

Embora se envolva mais em projetos solo, o dramaturgo diz não nutrir uma predileção a esses trabalhos. As dificuldades em organizar e manter um elenco ou uma companhia são alguns dos motivos que o levaram a escolher espetáculos nos quais não divide o palco com outros atores. “As pessoas pensam que eu tenho uma preferência por monólogos, mas eles foram a alternativa que encontrei para não deixar de fazer teatro nunca. Adoro trabalhar em grupo”, explica ele, que já interpretou mais de seis peças desse gênero.

Nascido em Manaus e criado em Fortaleza, o artista chegou a Brasília em 1982, com 18 anos. “Minha história não é muito diferente daquelas outras de pessoas que vieram tentar a sorte no planalto central”, conta. A veia artística, ele traz da família. Filho de seringueiro, herdou do avô cordelista o dom para a poesia, uma atividade que desenvolve paralelamente ao teatro. Segundo o ator, as raízes cearenses que mantém por parte de pai acrescentam três fortes figuras em sua formação cultural: “tenho muito do seringueiro, do vaqueiro e do repentista”, diz.

Apesar de afirmar que começou sua carreira artística tarde, com 24 anos, desde criança, ele demonstrava a paixão pela arte de interpretar. Na infância, o futuro dramaturgo brincava de teatro de sombras e cinema com apenas uma vela e um lençol. "Eu estava exercitando inconscientemente”, relembra. Hoje, já trabalhou tanto nos palcos como em frente às câmeras. Em seu currículo, coleciona seis projetos nas grandes telas, cinco curtas e uma participação no longa-metragem Dois Filhos de Francisco.

Nas artes cênicas, desenvolve-se como autodidata, pois sua formação acadêmica é em Letras. Hoje, é mestre em teoria literária, com uma tese que trabalha entre as áreas de cinema, teatro e literatura. “Sentia a necessidade, na minha formação como ator, de uma base de leitura teórica, de referenciais. Só é possível interpretar, em minha opinião, se você tiver uma base sólida de leitura’, ressalta.

Além de trabalhar com teatro e recitais de poesias, Adeilton acumula também experiência como professor. Hoje, pode se dar o luxo de lidar somente com o ensino superior, que, como diz ele, tem mais estrutura. Sobre suas experimentações como pedagogo na Secretaria de Educação é enfático: “É um laboratório para louco. Antes que eu pirasse de vez, preferi não arriscar. É desumano. O professor sofre muito, sabe? O professor tem que ser psicólogo, assistente social, enfim, acumula uma série de funções, além de ter que dar aula”, denuncia.

Um feito educacional do qual gosta de se orgulhar é o CD Raízes da Voz, que lançou em 2002. A coletânea de poemas é utilizada até hoje em escolas, nas aulas de literatura, tanto no ensino médio como em cursos universitários. “Isso me deixa muito orgulhoso. Saber que o meu trabalho serve de apoio pedagógico para os professores da área de literatura”, celebra.

Atualmente, mantém um blog com textos e poemas de sua autoria e também prepara dois projetos. No momento, escreve o monólogo O Lunático, que será a segunda peça do gênero de sua autoria e dirige outro espetáculo solo, inspirado em um conto de Ribeiro Couto.

Confira a nossa Galeria de Imagens para saber mais sobre Adeilton Lima.